Web Summit é ou não bom para o nosso país?

Tenho ouvido diversas opiniões sobre o Web Summit. Aliás, como é nosso apanágio, primeiro há uma reação de deslumbramento, sobre tudo que há de novo e depois com o passar do tempo começam a surgir opiniões e artigos. E claro, com o Web Summit não seria diferente. De notar que até o Jornal Expresso fez um artigo onde o CEO do Web Summit Paddy Cosgrave passou por patético, quando antes foi exatamente o contrário…

Em 2012 quando abri a minha primeira empresa fora de Portugal, mais precisamente em Inglaterra, Portugal era pouco conhecido e os que achavam que conheciam, pensavam erradamente, que era um país de turismo e de peixe. Inovação e tecnologia não existiam por estas bandas, logo se queríamos vender além fronteiras, teríamos de dizer que éramos Ingleses.

Hoje, e em tempo record, Portugal não só é reconhecido como um país de inovação tecnológica, como também rapidamente passou a estar no mapa da estratégia de grandes empresas ao deslocarem para cá seus hubs/polos de desenvolvimento, suporte técnico especializado em tecnologias, entre muitas outras variantes que vieram dar emprego a Portugueses e trouxeram milhares de estrangeiros para vir trabalhar em Portugal.

Logo no primeiro Web Summit em 2016 a Mercedes deslocou para Lisboa a sua unidade de desenvolvimento aplicacional para Portugal, ou seja, tudo o que vimos nos ecrãs dos Mercedes é desenvolvido em Lisboa.
Em 2017 já estava a reforçar a equipa com 100 novos engenheiros.

Quem não se lembra deste famoso video?

Corria o ano de 2017, tinha alguns escritórios para arrendar no Parque das Nações, durante os 3 dias do Web Summit foram dezenas de solicitações por parte de empresas que queriam vir para Portugal, entre elas tinha a VW e BMW, que também estes seguiram as pisadas da Mercedes e também eles já estão instalados em Portugal a desenvolver as suas aplicações. Contudo os espaços que tinha, foram para uma empresa Belga que é um dos maiores implementadores de Salesforce e a partir de Lisboa, desenvolvem para todo o mundo.

Como estes exemplos temos:

  • A Cisco abriu cá um centro de costumes experience que dá emprego a 800 pessoas altamente qualificadas
  • A Cloudflare considerou 45 cidades de 29 países dos quais escolheu Lisboa para fazer o seu centro europeu no qual irá ter 500 pessoas altamente qualificadas
  • A Oracle no Porto
  • A Google, a Amazon, a Uber, a Pipedrive, a Euronext, a Fujistu, a Huawei, a GCI, e muitas outras

 

Para terem uma ideia mais concreta em números temos em Portugal (fonte INE):

  • Nº de filiais estrangeiras em Portugal em 2017 eram 6.360 em 2018 foram 6.825
  • Empregam 487.000 pessoas
  • Volume de negócio de 22 mil milhões de euros e tem crescido desde o Web Summit cerca de 5% ao ano
  • Com salários em média 40% superiores aos que são pagos em Portugal com um valor médio de 1.354€
  • Representam 24,3% do volume de negócios gerado em Portugal

A titulo de curiosidade, só no recinto em bancas de comida, foram consumidos 300.000€ diáriamente, isto apenas no recinto do evento onde há uma oferta muito reduzida de quiosques de comida, façamos o seguinte exercício: imaginem tudo envolve o evento, restaurantes, bares, hotéis, transportes,…

Outro excelente exemplo são as StartUps, que se desenvolveram em Portugal, uma cultura de novos empreendedores que se criaram. Hoje muitos jovens terminam os seus cursos e pensam em criar uma empresa para desenvolver novas ideias, criou-se também uma nova cultura de investidores e mentores que apoiam estes jovens a terem mais probabilidades de sucesso e assim criou-se todo um novo ecossistema de empreendedorismo.

Mais uma vez, para terem uma ideia, após o Web Summit as empresas Portuguesas tiveram 1.000 milhões de investimentos em 392 rondas, onde se destacam as seguintes empresas:

  • Farfetch (que teve que se apresentar inicialmente como uma empresa Inglesa pelos mesmos motivos acima referidos)
  • Uniplaces
  • Outsystems
  • Talkdesk
  • Feedzai
  • Unbabel
  • 360imprimir
  • E muitas outras

 

Em contra partida Portugal dá 11 milhões de euros em apoios à organização do Web Summit, os quais a meu ver vale todos os euros e cêntimos, pois para além da notoriedade que traz ao país em termos de comunicação social, estes 11 milhões pagam-se apenas com os 3 dias do evento no que é gasto e impostos que são gerados, mas fundamentalmente traz:

  • Emprego qualificado
  • Novas culturas de empreendorismo e investimento “semente”
  • Uma estratégia ao país alternativa à estratégia do turismo
  • Gera impostos e exportações

Do meu ponto de vista , venham mais “ Web Summit”, o balanço final é muitíssimo positivo para todos, em variadíssimas áreas.
A minha sugestão passa , por haver menos Velhos do Restelo , vulgos “ haters”, até porque , isto sermos resistente à mudança , é coisa do passado e não nos acrescenta.

Ricardo Teixeira
Empresário | Investidor | Orador

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